Conversa afiada


Acordo com desejo de continuar deitada, ao lado de Maricotinha, no quentinho da nossa cama. Sem saber se há sol lá fora, pela ventania nas folhas, imagino que nem há. Depois de algum "vou não vou", acabo me levantando e, claro, Maricota vai junto. Lavo o rosto, tomo a água que sobrou na cabeceira, visto a roupa pra fazer ginástica, casaco de frio por cima e vou fazer meu café. Mesa posta, café quentinho, queijo no finalzinho, puxo pra perto a cadeira branca e lá vem Maricota, ganhar feliz seus pedacinhos diários de queijo branco. Esse ritual me encanta! 45 minutos na esteira a 6.4, mais meia hora entre abdominais que eu detesto de 4 tipos diferentes, mais4 diferentes formas de levantar e baixar pesos de 3 e 4 quilos, subo para um banho quentinho e já desço. Computador ligado, leio e respondo e-mails vários, mando fotos da festa linda da prima Virginia em São Paulo este fim de semana, e vou pro piano. Ligo a Digi, o G5, vou pro I Tunes e pronto: Legião Urbana e Renato Russo no mais profundo das veias. Tomara eu consiga achar a minha cara no que tenho ouvido e consiga dar voz a essa música tão diversa da que faço, ouço e canto. Hoje, meio jururu, meio nublada, reproduzo a que, há pouco, quase me enlouqueceu. Tem 11 minutos e uns quebrados. A letra é genial.

METAL CONTRA AS NUVENS

(Dado Villa-lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá)

 

I

Não sou escravo de ninguém

Ninguém senhor do meu domínio

Sei o que devo defender

E por valor eu tenho

E temo o que agora se desfaz

 

Viajamos sete léguas

Por entre abismos e florestas

Por Deus nunca me vi tão só

É a própria fé o que destrói

Estes são dias desleais

 

Eu sou metal - raio, relâmpago e trovão

Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão

Eu sou metal: me sabe o sopro do dragão

 

Reconheço meu pesar

Quando tudo é traição

O que venho encontrar

É a virtude em outras mãos.

 

Mas minha terra é a terra que é minha

E sempre será minha terra

Tem a lua, tem estrelas e sempre terá

 

II

Quase acreditei na sua promessa

E o que vejo é fome e destruição

Perdi a minha sela e a minha espada

Perdi o meu castelo e minha princesa

 

Quase acreditei, quase acreditei

 

E, por honra, se existir verdade

Existem os tolos e existe o ladrão

E há quem se alimente do que é roubo.

 

Vou guardar o meu tesouro

Caso você esteja mentindo.

 

Olha o sopro do dragão

 

III

É a verdade o que assombra

O descaso que condena

A estupidez o que destrói

 

Eu vejo tudo que se foi

E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes

O corpo quer, a alma entende

 

Esta é a terra-de-ninguém

Sei que devo resistir -

Eu quero a espada em minhas mãos

 

Eu sou metal - raio, relâmpago e trovão

Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão

Eu sou metal: me sabe o sopro do dragão

 

Não me entrego sem lutar

Tenho ainda coração

Não aprendi a me render

Que caia o inimigo então

 

IV

- Tudo passa, tudo passará

 

E nossa estória não estará pelo avesso

Assim, sem final feliz

Teremos coisas bonitas pra contar

 

E até lá, vamos viver

Temos muito ainda por fazer

Não olhe pra trás -

Apenas começamos

O mundo começa agora -

Apenas começamos.

 



Escrito por Leila às 13h13
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