Assisti em São Paulo, à peça Hamlet, o clássico de Shakespeare, produzida, traduzida e encenada (papel principal) pelo já grandioso ator Wagner Moura (foto ao lado by Lenise Pinheiro - Imagem Folha). Nada do que eu escrever aqui vai traduzir as três horas que vivi ali, sentada na platéia do Teatro Faap em Higienópolis, no coração da Paulicéia - a própria Faap, um templo raro de cultura, arte e saber (é uma universidade). A direção do espetáculo é de Aderbal Freire Filho, que dispensa apresentações e que deixa nesta montagem, bem nítida a sua assinatura. Sei, pelo que leio nos depoimentos de grandes atores, da importância e da dificuldade que é, representar o que este dramaturgo escreveu. Enfim...sem grandes delongas...o Hamlet de Wagner Moura é uma das melhores peças que vi na vida. Desde o começo da peça senti minha respiração em suspenso, tomei até meio lexotan nos primeiros minutos, porque ando meio panicada, a peça já começa tensa e eu sabia que ia ficar fechada ali por quase uma hora e meia, até chegar o intervalo (a peça tem dois atos e acontece em 3 horas)...
Fui entrando na história, fui absorvendo aquela torrente de palavras, de pensamentos extraordinários, reflexões seriíssimas e profundas, como que pensadas ante-ontem, de tão atuais que são. É como se Shakespeare vivesse os nossos tormentos e nossas alegrias de hoje, do mundo agora. E é essa a força do texto - sua universalidade e atemporalidade - o essencial para ser eterno.
No programa da peça, que quase terminei de ler antes da peça começar, o texto (grande) de Aderbal (diretor) dizia que deveria haver em cada canto do nosso país, um Hamlet sendo encenado, tal a importância de se ter contato com essa obra. No fim da peça, entendi perfeitamente as palavras dele.
Confesso que fiquei com inveja (das boas) do Wagner Moura e dos atores em geral, que podem lançar mão de um texto longo e denso desses, para dizer o que pensam. Eu, na minha profissão, escolho no máximo 25 canções que dizem o que penso e quero dizer, mas tenho, no máximo, uma hora e meia pra "vender meu peixe" que não deve ter muitas espinhas, porque senão o público se engasga e me abandona. Enfim...cada macaco no seu galho e...tudo certo.
Fiquei zonza com tanto texto, é verdade. Queria tê-lo na mão, pra poder ler várias vezes e assim pensar melhor em tudo o que vi e ouvi naquela tarde de domingo inesquecível.
Imperdível!!!!!!