
Venho lendo um capítulo (curto) por dia, pelo simples desejo de prolongar a "conversa" com este homem genial - da música e do mundo, com uma história de vida fantástica, que certamente daria um filme interessantíssimo e dos mais caros já feitos, pela quantidade de países, cidades do mundo que ele visitou, viveu, passou enfim...e que narra deliciosamente neste livro recente, que, afinal, acabei de ler - há pouco - "Música, ídolos e poder".
Jantei com ele em Nova York há muitos anos atrás, desejando que ele se interessasse pelo meu trabalho e lançasse um disco meu na América. O jantar foi delicioso, ele, amabilíssimo, se interessou discretamente pela música que cantava aquela super jovem paraense, mas de fato, nada aconteceu. Não era a hora e aliás, esta hora até hoje não chegou. Não é pra ser. Cantei em Nova York algumas vezes, duas delas no templo máximo e sagrado da música do mundo - o Carnegie Hall, mas nunca cheguei a ter uma carreira na América. Tudo certo!!! Mas escrevo aqui é sobre ANDRÉ MIDANI. Aliás, não escreverei sobre ele, mas apenas quero sugerir a leitura de sua história, que tanto ensina, instiga, estimula, encoraja.
Reencontrei-o recentemente no back stage do show dirigido pelo Roberto Menescal, pelos 50 anos da Bossa Nova na praia de Ipanema. Ele chegou atrasado e estava meio chateado de ter perdido o começo do show. Não me reconheceu e isso não tem a menor importância. Ler o livro dele é o melhor de tudo. Sabê-lo vivo e cheio de vida aos 76 anos, casado de novo, e feliz, dando autógrafos em noite concorrida de lançamento e reencontro com muitos dos "personagens" do livro, seus amigos, é muito bacana. É amigo do Menescal com quem trabalhou muito e do Carlos Lyra e trocamos muitas figurinhas sobre ele enquanto aguardávamos para cantar juntos num show recente em São Paulo. Ambos me disseram que ainda teria um segundo volume de histórias que André não contou. Estou aguardando.
André ajudou a lançar incontáveis grandes artistas da música brasileira e mundial. Passou o diabo na infância (guerras, fome, frio, abandono) e desaguou aqui, no nosso Brasil, que o acolheu e onde ele vive até hoje.
Hoje, dia 2 de dezembro, li no blog de Caetano Veloso (http://www.obraemprogresso.com.br), o comentário dele do dia 10 de outubro, sobre este livro do Midane e o reproduzo, pedindo aqui, licença à Caetano:
"Estou lendo o livro de André Midani, "Música, ídolos e poder", e estou impressionado. É um livro bom, escrito por um homem incrível, sobre uma vida improvável. Muito bonito o destino desse homem que eu amo tanto e que foi tão importante para mim. Independentemente disso, é um livro para ser lido por quem quer que se interesse por música no Brasil e tenha prazer em ver o assunto olhado de uma perspectiva não provinciana, de uma larga visão histórica. Da chegada dos aliados na Normadia aos downloads e aos piratas, uma personalidade singular, sofrida e curtida (nos dois ou mais sentidos) faz a gente aqui se sentir real, possuidora de um tamanho real".