Acordo com desejo de continuar deitada, ao lado de Maricotinha, no quentinho da nossa cama. Sem saber se há sol lá fora, pela ventania nas folhas, imagino que nem há. Depois de algum "vou não vou", acabo me levantando e, claro, Maricota vai junto. Lavo o rosto, tomo a água que sobrou na cabeceira, visto a roupa pra fazer ginástica, casaco de frio por cima e vou fazer meu café. Mesa posta, café quentinho, queijo no finalzinho, puxo pra perto a cadeira branca e lá vem Maricota, ganhar feliz seus pedacinhos diários de queijo branco. Esse ritual me encanta! 45 minutos na esteira a 6.4, mais meia hora entre abdominais que eu detesto de 4 tipos diferentes, mais4 diferentes formas de levantar e baixar pesos de 3 e 4 quilos, subo para um banho quentinho e já desço. Computador ligado, leio e respondo e-mails vários, mando fotos da festa linda da prima Virginia em São Paulo este fim de semana, e vou pro piano. Ligo a Digi, o G5, vou pro I Tunes e pronto: Legião Urbana e Renato Russo no mais profundo das veias. Tomara eu consiga achar a minha cara no que tenho ouvido e consiga dar voz a essa música tão diversa da que faço, ouço e canto. Hoje, meio jururu, meio nublada, reproduzo a que, há pouco, quase me enlouqueceu. Tem 11 minutos e uns quebrados. A letra é genial. METAL CONTRA AS NUVENS (Dado Villa-lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá) I Não sou escravo de ninguém Ninguém senhor do meu domínio Sei o que devo defender E por valor eu tenho E temo o que agora se desfaz Viajamos sete léguas Por entre abismos e florestas Por Deus nunca me vi tão só É a própria fé o que destrói Estes são dias desleais Eu sou metal - raio, relâmpago e trovão Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão Eu sou metal: me sabe o sopro do dragão Reconheço meu pesar Quando tudo é traição O que venho encontrar É a virtude em outras mãos. Mas minha terra é a terra que é minha E sempre será minha terra Tem a lua, tem estrelas e sempre terá II Quase acreditei na sua promessa E o que vejo é fome e destruição Perdi a minha sela e a minha espada Perdi o meu castelo e minha princesa Quase acreditei, quase acreditei E, por honra, se existir verdade Existem os tolos e existe o ladrão E há quem se alimente do que é roubo. Vou guardar o meu tesouro Caso você esteja mentindo. Olha o sopro do dragão III É a verdade o que assombra O descaso que condena A estupidez o que destrói Eu vejo tudo que se foi E o que não existe mais Tenho os sentidos já dormentes O corpo quer, a alma entende Esta é a terra-de-ninguém Sei que devo resistir - Eu quero a espada em minhas mãos Eu sou metal - raio, relâmpago e trovão Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão Eu sou metal: me sabe o sopro do dragão Não me entrego sem lutar Tenho ainda coração Não aprendi a me render Que caia o inimigo então IV - Tudo passa, tudo passará E nossa estória não estará pelo avesso Assim, sem final feliz Teremos coisas bonitas pra contar E até lá, vamos viver Temos muito ainda por fazer Não olhe pra trás - Apenas começamos O mundo começa agora - Apenas começamos.
Escrito por Leila às 13h13
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Rio - Tóquio
Amanhã sigo pra mais uma temporada de shows no Japão. Deus nos ajude! Novamente o Blue Note, agora com meu querido Oscar Castro Neves, mestre absoluto, parceiro sintonizado com a alegria, o bom humor, o bom gosto e o prazer de tocar, cantar, estar junto. Conosco, Airto Moreira, lenda viva da percussão brasileira que fez história fora do Brasil...e segurando o tranco, o grande Marcelo Mariano no baixo, Paulo Calazans no piano e teclados e Marco Bosco, nosso cicerone e guia máximo, na bateria. Em 12 shows nos 6 dias cantando no subsolo mais famoso de Tóquio, vou me reencontrar com o público japonês, atento, caloroso, querido, tão especial pra mim desde o começo da minha carreira, quando em 1986 lá estive pela primeira vez. Até breve! Arigatô!
Escrito por Leila às 21h48
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Assino embaixo
Caso Sean : Assim é se lhe parece Cora Rónai Jornal O Globo 10/03/09 Tenho acompanhado, primeiro pela internet e agora por todos os cantos, a história do Sean, o garoto que vem sendo disputado pelo pai americano e pela família brasileira. E cheguei, finalmente, à minha conclusão definitiva: um bom juiz de vara de família é criatura que, ao morrer, merece ir direto para o céu, sem escala, com todas as mordomias da Primeira Classe! Uma coisa é discutir o caso na mesa de um bar, nas caixas de comentários dos blogs ou mesmo aqui nesta crônica, opinião amplificada porque sai no jornal mas, ao fim e ao cabo, só isso, uma opinião. Outra, bem diferente, é ter de tomar a decisão real que vai afetar, de forma dramática, a vida dos envolvidos. Ouve-se um lado, e os fatos são incontestáveis; ouve-se o outro, e é claro que tem toda a razão; ouve-se um terceiro e é por aí mesmo; e assim sucessivamente. Pirandello perde.
Como quase todo mundo, acho que o ideal para o garoto seria que o pai americano e a família brasileira entrassem em acordo, e que ele pudesse transitar livremente de um lado para outro, de um país para outro. Ao que tudo indica, Sean não corre maiores riscos nem nos Estados Unidos, nem aqui: afinal, se a briga está acontecendo é, em tese, por excesso, e não falta, de amor.
De qualquer forma, antes de ir adiante, aviso: não sou nada imparcial em relação ao caso. Ao contrário de quase todo mundo, pelo menos nas campanhas histéricas que vejo na internet, torço, e torço muito, para que o menino possa continuar no Brasil. Aqui estão as referências afetivas que lhe restaram da mãe; além disso, entre a família nuclear (pai, mãe, filhos) e a grande família (pai, mãe e filhos, mais tios, primos, avós e quem mais houver) sou, sempre, por esta. Tenho uma visão latina da vida: quanto mais gente houver em torno de uma criança, sobretudo de uma criança órfã, melhor. Vocês conhecem o provérbio africano, não é? "É preciso uma aldeia para fazer um homem.” Pois. Acredito nele.
Acho que seria uma barbaridade arrancar do Brasil, sem mais nem menos, um menino que viveu aqui a maior parte da vida, e a sua formação essencial. E acho que talvez tenha sido por isso que, desde o começo, fiquei com um pé atrás em relação ao pai, que logo após a morte da ex-mulher já estava aqui para levar a criança embora, depois de passar anos sem vê-la. Acrescentar ao trauma da perda da mãe a perda da família, da irmã recém-nascida, dos amigos, da escola e da cidade não me pareceu ato de quem tivesse o bem-estar do menino em mente.
Também não sou imparcial porque sou avó, e porque não consigo deixar de me solidarizar com uma mulher que, depois de passar pela dor de perder a filha tão jovem, e de um jeito tão estúpido, agora é ameaçada de perder o neto para um homem que lhe é praticamente um desconhecido. Eu também lutaria pelo meu neto, ora se não.
Escrito por Leila às 13h18
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cont. artigo Cora Rónai
Tirando isso, há certas coisas que me desagradam profundamente nessa história, a começar pela forma midiática com que o pai passou a se manifestar e a expor o filho ao público, uma vez desaparecida a mulher que poderia contradizê-lo. A essa altura, aliás, uma das principais acusações que lhe faz o lado brasileiro, a de ser um desempregado, já não faz qualquer sentido. Ele virou pai profissional e, quer recupere Sean quer não, certamente escreverá um livro sobre a sua luta, e venderá os direitos para o cinema; dará palestras motivacionais muito bem pagas e, como é bonito, receberá convites para fazer anúncios de produtos diversos. Desconfio, ainda, do caráter panfletário com que o caso vem sendo conduzido nos Estados Unidos, dos políticos que estão aproveitando a chance para fazer média com o eleitorado, e da evidente satisfação com que gringos que nada têm a ver com o caso correm, feito hienas, para os seus quinze minutos de fama.
Mas o que me deixa mesmo indignada é a covardia e a falta de respeito dos ataques feitos à mãe, que morreu e não pode se defender. O que é isso?! Em que mundo estamos?! Fico revoltada com a falsidade dos que se declaram fervorosos defensores da lei, da moral e dos bons costumes, e que não hesitam em julgar e condenar essa moça que, certamente, agiu motivada por puro desespero.
Não conheci a Bruna, mas não acredito nem um pouco no conto de fadas descrito pelo pai. O que eu sei, com certeza, é que uma mulher feliz não larga o marido, mesmo que esteja morando numa cabana sem aquecimento na Sibéria, e que esteja se matando para sustentar a família. Quem acredita nisso consegue acreditar em qualquer coisa, até nas boas intenções de um pai que vem sete vezes ao Brasil e que não vê o filho.
H-e-l-l-o-o-u?! Se alguém levasse um dos meus filhos para outro país e eu conseguisse chegar até aquele país, duvido, mas duvido muito, que houvesse força capaz de me impedir de vê-lo. Eu acamparia em frente à casa, me deitaria no caminho do ônibus escolar, escalaria o prédio – em suma, faria tal banzé que, mais hora menos hora, alguém teria de tomar conhecimento da coisa. Encontrem os seguranças que a família contratou para amarrar e amordaçar o pai, e aí vamos descobrir se, de fato, alguém o impediu de fazer o que quer que fosse.
Por outro lado, chego a achar comovente a luta de João Paulo Lins e Silva. Conheço muitos pais biológicos que não fariam metade do que está fazendo para ficar com Sean. Seria tão mais simples dar de ombros e entregá-lo ao pai biológico! Em vez disso, ele está agüentando o peso de ser transformado em vilão e de ver o nome da sua família no centro de uma campanha sistemática de demolição. É um alvo fácil, o rapaz. É advogado, é rico, é conhecido: pau nele!
Mas eu me pergunto: se ele se chamasse João das Couves e fosse marceneiro, professor ou entomologista, de que lado estaria a opinião pública?
Vocês decidem.
Escrito por Leila às 13h17
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Cont. entrevista NÉLIDA PIÑON
Qual foi a mais marcante? A dos 10 anos (morou dos 10 aos 12 anos na Galícia), porque abriu a porta dos meus grandes mitos. Eu me tornei uma grande mestiça cultural, uma mulher múltipla. Convivia com os mitos, os deuses, com as mortes, convivi com um povo muito antigo. Eu me descobri uma mulher arcaica, uma menina arcaica. Até hoje sei que sou arcaica. Sem ser arcaica, não posso ser moderna. Este livro é um balanço, a história de uma formação. De uma brasileira, de família galega, portanto de origem de imigrante e que descobre o mistério da sua gênese, sobretudo os mistérios da sua gênese cultural, da gênese dos sentidos, da sensibilidade, das decisões estéticas. É uma história de vida marcada por duas Carmens... A Carmen Piñon e a Carmen Balcells, duas mulheres muito importantes na minha vida. É engraçado isso. Aliás, Carmen Balcells me telefonou ontem (semana passada) e nós conversamos muito. O livro já está sendo traduzido para o espanhol. Carmen foi minha agente, apostou em mim. Foi Vargas Llosa quem me levou para ela. Carmen depois se tornou uma grande amiga da minha mãe, diz que foi uma das pessoas mais importantes da vida dela. Santiago de Compostela recebeu sua visita bem antes de Paulo Coelho... Não conto no livro, mas fiz o caminho a meu jeito, de carro, levou 21 dias (risos). A pé eu não quis fazer. Conheço muito bem o caminho, é extraordinário. Um dia penso escrever sobre ele, do meu jeito. Ninguém diz, mas era um caminho do pecado. Você podia pecar muito para chegar no fim e ser perdoado. É como Santo Agostinho: “Fazei-me puro, senhor, mas não já”. Você precisa pecar muito, precisa conhecer a paixão da carne, se deixar levar ou dominar pelas paixões. Era um caminho onde havia muito pecado, grande prostituição. Muitos assassinatos, roubos, era perigosíssimo. Levava-se às vezes uns dois, três anos. Ia-se parando, você se tornava necessariamente um “vagabonde”, no sentido francês. Por que a guerra era tão querida pelos povos também? Porque se tornavam aventureiros. Saíam de um lugarzinho inóspito, de um casebre imundo, pobre, e ganhavam o sentido da aventura. A pessoa $tornava um aventureiro, que é o melhor estado do mundo. O melhor do mundo não é ser escritor, é ser aventureiro. Em determinado trecho, observa que, apesar do Brasil, persistiu na literatura. Tem algum ressentimento? Ressentimento não, mas uma dor, que se deve ter. Não é possível que um escritor brasileiro aplauda a indiferença cultural do Brasil. Só um insensato. Como não sou insensata, nem parei de pensar, reconheço que o Brasil cobra um esforço acima das necessidades da literatura. Persistir na literatura é um milagre. Você depende da bondade de tantos para continuar escrevendo, de amigos, da mãe, do pai, dos amores, e de todo mundo. Todos os dias alguém bate à sua porta convocando você a desistir. E você tem de abrir a porta com bom humor e dizer, “sinto muito, mas eu não vou desistir”. Fui tentada inúmeras vezes, e nunca quis desistir. O Brasil não tem uma grande bolsa de estudos para escritor. Nunca teve, agora tem umas coisinhas aí. Nunca teve uma bolsa que ajudasse você a conhecer o mundo, que permitisse que você escrevesse um romance de dois anos. Os EUA estão cheios de bolsas. Os grandes prêmios brasileiros eram inexistentes, a coisa melhorou muito de um tempo para cá. A sensação que você tinha é que era uma espécie em extinção. Sendo mulher, provar que existia era um esforço extraordinário. Ser uma mulher bem educada não é fácil. Uma mulher com uma certa cultura, não é fácil. Com independência moral muito grande, não é fácil. A minha história não tem proteções do poder. Essa independência me custou caro. Não sou mulher de grupos, sou mulher muito solta pelo mundo. Não tenho histórias de mendicância moral. Ser escritor foi muito difícil, isso, é claro, para fazer a literatura que eu queria. Porque tenho facilidade para fazer texto erótico como muita pouca gente, e podia explorar esse trajeto e ganhar dinheiro. Não é ressentimento, é realidade. Também não estou cobrando nada, ninguém me deve nada. Eu é que devo à literatura. O prazer e a alegria que a literatura me dá são extraordinários, então valeram todos os esforços.
Escrito por Leila às 18h42
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Cont. entrevista NÉLIDA PIÑON
O que descobriu escrevendo o livro? Esse livro tocou em aspectos muito sensíveis. Nunca pensei que a figura do meu pai (que morreu quando ela tinha 20 anos) fosse ganhar tanta relevância. De certo modo, eu o soterrara ao longo dos anos, para aceitar sua perda, que para mim foi uma grande dor. E para ajudar minha mãe. Nós duas ficamos sozinhas num mundo muito difícil. E eu querendo fazer uma carreira muito difícil. A literatura não era supostamente para mulheres, sobretudo para jovens. Aliás, até hoje. Há muito preconceito com a literatura produzida por mulher. Há menos consideração pela mulher escritora. A não ser aquelas que ganham proeminência determinada. A tendência é a da invisibilidade. A mulher não é tão legitimada e se lê menos o texto produzido por mulher. Surpreendeu-se com a força da memória? A memória é um patrimônio que você tem , mas que não domina, é esquivo. Ela não depura, ela acolhe e acata, não tem uma estética. A memória não bate à sua porta para dizer: “viva bem, seja elegante, porque estou colhendo tudo para um livro que quero que seja escrito por você no futuro”. A memória não faz isso, ela é um registro totalizante. Por que escrever suas memórias? Todos nós pensamos na morte, a morte é uma mentora. Ela vai nos dizendo: você vai morrer. Olha os objetos. Da minha mãe, do meu pai, os objetos da minha vida. Eu não tenho novidades na minha casa. É todo um repertório de memórias. Eu tinha uma curiosidade $pela minha formação. Venho pensando, ultimamente: como uma brasileira decidiu virar uma Simbad, e desandou a velejar pelo mundo? Sem muita proteção. Eu ia sozinha aos lugares. Nunca tinha os melhores lugares, porque estava iniciando. Mas sabia que era muito importante para a minha aprendizagem de vida. Isso me ajudou muito, desde menininha eu comecei a viajar. Fui induzida a acreditar que a imaginação precisava de subsídios. Não é verdade que a imaginação seja um regalo gratuito. Você tem uma imaginação que se esgota, se não a alimenta. Com essas viagens todas, fundamentais, as primeiras, eu fui entendendo que viajar era uma segunda natureza para mim. Já nas viagens mais profissionais, fui aprendendo, aprendendo, e acho que fui aprendendo tanto ao longo de $anos, que nem sempre eu pude imaginar que o que eu fazia não era comum.
Escrito por Leila às 18h40
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Cont. entrevista NÉLIDA PIÑON
Volta sempre à casa... Adoro a minha casinha. Sei que a tendência de um feminismo era a necessidade de a mulher dar as costas à casa, porque a casa foi uma senzala para ela, um serralho. Estou de acordo porque sou uma feminista histórica. Mas a grande mudança hoje é você voltar para a casa e fazer dela, para você e todos os demais, o seu paraíso, não a sua masmorra. Fazer dela a sua liberdade, onde você se exercita e, se for preciso, o lugar onde até afia a unhinha para sair mais corajosa para o mundo. (risos) O momento de balanço tem relação com o novo livro? Pode ser. Sou uma mulher de hábitos diários. Penso o tempo todo. E adoro as banalidades, elas me lançam a reflexões mais profundas. Não me empobrecem. Acho perigoso o escritor que se afasta da trivialidade do cotidiano. Ele pode fazer uma grande exegese do cotidiano através dos mínimos detalhes. Às vezes, sei de um programa de TV que não me enriquece, mas preciso ver para descobrir como as pessoas se emocionam, o que desperta atenção no outro. Tenho de saber o que um copo de cerveja, em termos de liberdade e emancipação econômica, provoca num folião. Tanto que antigamente, eu falo isso no meu livro, as pessoas adoravam acumular garrafas de cerveja vazias, naqueles botecos. As pequenas exibições, ostentações, cenários do cotidiano me induzem a pensar em outras transcendências. Nesse sentido, sou mulher do cotidiano. $pessoas falam muito comigo na rua. Paro e converso, qualquer razão é pretexto. Me faz crescer. E gosto muito de dizer que sou uma escritora brasileira. Habituei-me, nessas viagens todas, desde muito jovem, a dizer, “sou uma escritora brasileira”. Uma vez fui apresentada a Jacqueline Kennedy pela Toni Morrison, nós somos muito amigas. “Esta é uma escritora brasileira”, disse a Toni Morrison. E Jackie Kennedy respondeu, muito educada: “Mas que prazer, é o primeiro escritor brasileiro que conheço”. “Certamente será o último”, eu respondi. “Você acha que os escritores brasileiros andam pelo mundo?” Ela riu, e nós batemos um papinho.
Escrito por Leila às 18h39
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O coração andarilho de NÉLIDA PIÑON
O Coração andarilho de Nélida Piñon Sempre me detenho encantada diante de relatos, histórias de vida e obra de mulheres guerreiras, obstinadas, que se doam para seus ofícios. Nélida Piñon é uma dessas mulheres que admiro e para quem tenho sempre momentos de atenção deliciosamente saboreados. Esta conversa dela com Rachel Bertol no Suplemento Prosa & Verso do Jornal O Globo do dia 7 de março passado, me fez parar pra pensar diversas vezes, no decorrer do dia. Viva Nélida e sua obra vasta e bela! A escritora Nélida Piñon lançou seu primeiro romance em 1961. Teve uma vida intensa, e sobretudo de intensa dedicação à literatura. Mais do que dedicação, uma vida de paixão à literatura, um dos temas que permeiam “Coração andarilho” (Record), seu mais recente livro e o primeiro de memórias. Na obra, a escritora, que nasceu no bairro carioca de Vila Isabel e é de família de origem galega, conta a história de sua formação. Mostra como, desde pequena, em sua vida, nunca houve outra opção além da literatura. Nélida lê um trecho de sua nova obra. A senhora comentou que tem feito um balanço de sua vida: o que está descobrindo? Tenho observado como é difícil uma trajetória literária. Também me dou conta da intensa vida pessoal que sempre tive. De repente, acho que é preciso criar certos decálogos, quase um códice milenar, sempre metafórico, para você próprio. Porque você é uma metáfora para si próprio, você não tem uma explicação completa da sua pessoa e da realidade. Por isso, a arte é uma necessidade, um apoio, um amparo do ser humano. Não é só deleite, é registro da nossa complexidade. Diante de tudo isso tenho o hábito de pensar e adoro pensar, me dá um prazer imenso. É como se eu estivesse reduzindo o meu índice de medo, da morte, da vida, o pior medo é temer o medo. Nesse sentido sou muito atrevida. Tenho sido atrevida na minha vida, sem ser panfletária. Nunca quis exibir as minhas audácias. Execra a autopromoção, tão comum hoje em dia. Isso afeta a minha dignidade. Eu me lembro de que, durante anos, sempre disse: o que for difícil não importa, se eu estou decidida a me autossatisfazer, por exemplo, com a criação literária. Não importa a dificuldade de viver num país como o Brasil, com uma língua deslumbrante mas periférica, sem dúvida. Porque a literatura brasileira é periférica. Tive opções de poder criar em língua espanhola, quando jovem. Mas a língua portuguesa, para mim, foi uma escolha profunda. Não havia possibilidade de eu abandonar a geografia minha, que é a geografia do Brasil e a geografia da minha língua. Tem sido sempre uma opção do ofício, uma opção profunda da minha vida. Há uma tentativa, eu percebo, de me associarem muito ao mundo espanhol, que eu amo. Mas até hoje, e pouca gente sabe disso, eu não tenho passaporte da União Europeia. É como se eu só pudesse ter um único passaporte, aquele verdinho brasileiro.
Escrito por Leila às 18h38
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O Coração Andarilho de Nélida Piñon
Sou fã de mulheres arrojadas, corajosas,
A escritora Nélida Piñon lançou seu primeiro romance em 1961. Teve uma vida intensa, e sobretudo de intensa dedicação à literatura. Mais do que dedicação, uma vida de paixão à literatura, um dos temas que permeiam “Coração andarilho” (Record), seu mais recente livro e o primeiro de memórias. Na obra, a escritora, que nasceu no bairro carioca de Vila Isabel e é de família de origem galega, conta a história de sua formação. Mostra como, desde pequena, em sua vida, nunca houve outra opção além da literatura. Nélida lê um trecho de sua nova obra. A senhora comentou que tem feito um balanço de sua vida: o que está descobrindo? Tenho observado como é difícil uma trajetória literária. Também me dou conta da intensa vida pessoal que sempre tive. De repente, acho que é preciso criar certos decálogos, quase um códice milenar, sempre metafórico, para você próprio. Porque você é uma metáfora para si próprio, você não tem uma explicação completa da sua pessoa e da realidade. Por isso, a arte é uma necessidade, um apoio, um amparo do ser humano. Não é só deleite, é registro da nossa complexidade. Diante de tudo isso tenho o hábito de pensar e adoro pensar, me dá um prazer imenso. É como se eu estivesse reduzindo o meu índice de medo, da morte, da vida, o pior medo é temer o medo. Nesse sentido sou muito atrevida. Tenho sido atrevida na minha vida, sem ser panfletária. Nunca quis exibir as minhas audácias. Execra a autopromoção, tão comum hoje em dia. Isso afeta a minha dignidade. Eu me lembro de que, durante anos, sempre disse: o que for difícil não importa, se eu estou decidida a me autossatisfazer, por exemplo, com a criação literária. Não importa a dificuldade de viver num país como o Brasil, com uma língua deslumbrante mas periférica, sem dúvida. Porque a literatura brasileira é periférica. Tive opções de poder criar em língua espanhola, quando jovem. Mas a língua portuguesa, para mim, foi uma escolha profunda. Não havia possibilidade de eu abandonar a geografia minha, que é a geografia do Brasil e a geografia da minha língua. Tem sido sempre uma opção do ofício, uma opção profunda da minha vida. Há uma tentativa, eu percebo, de me associarem muito ao mundo espanhol, que eu amo. Mas até hoje, e pouca gente sabe disso, eu não tenho passaporte da União Europeia. É como se eu só pudesse ter um único passaporte, aquele verdinho brasileiro. Volta sempre à casa...
Adoro a minha casinha. Sei que a tendência de um feminismo era a necessidade de a mulher dar as costas à casa, porque a casa foi uma senzala para ela, um serralho. Estou de acordo porque sou uma feminista histórica. Mas a grande mudança hoje é você voltar para a casa e fazer dela, para você e todos os demais, o seu paraíso, não a sua masmorra. Fazer dela a sua liberdade, onde você se exercita e, se for preciso, o lugar onde até afia a unhinha para sair mais corajosa para o mundo. (risos) O momento de balanço tem relação com o novo livro? Pode ser. Sou uma mulher de hábitos diários. Penso o tempo todo. E adoro as banalidades, elas me lançam a reflexões mais profundas. Não me empobrecem. Acho perigoso o escritor que se afasta da trivialidade do cotidiano. Ele pode fazer uma grande exegese do cotidiano através dos mínimos detalhes. Às vezes, sei de um programa de TV que não me enriquece, mas preciso ver para descobrir como as pessoas se emocionam, o que desperta atenção no outro. Tenho de saber o que um copo de cerveja, em termos de liberdade e emancipação econômica, provoca num folião. Tanto que antigamente, eu falo isso no meu livro, as pessoas adoravam acumular garrafas de cerveja vazias, naqueles botecos. As pequenas exibições, ostentações, cenários do cotidiano me induzem a pensar em outras transcendências. Nesse sentido, sou mulher do cotidiano. $pessoas falam muito comigo na rua. Paro e converso, qualquer razão é pretexto. Me faz crescer. E gosto muito de dizer que sou uma escritora brasileira. Habituei-me, nessas viagens todas, desde muito jovem, a dizer, “sou uma escritora brasileira”. Uma vez fui apresentada a Jacqueline Kennedy pela Toni Morrison, nós somos muito amigas. “Esta é uma escritora brasileira”, disse a Toni Morrison. E Jackie Kennedy respondeu, muito educada: “Mas que prazer, é o primeiro escritor brasileiro que conheço”. “Certamente será o último”, eu respondi. “Você acha que os escritores brasileiros andam pelo mundo?” Ela riu, e nós batemos um papinho. O que descobriu escrevendo o livro? Esse livro tocou em aspectos muito sensíveis. Nunca pensei que a figura do meu pai (que morreu quando ela tinha 20 anos) fosse ganhar tanta relevância. De certo modo, eu o soterrara ao longo dos anos, para aceitar sua perda, que para mim foi uma grande dor. E para ajudar minha mãe. Nós duas ficamos sozinhas num mundo muito difícil. E eu querendo fazer uma carreira muito difícil. A literatura não era supostamente para mulheres, sobretudo para jovens. Aliás, até hoje. Há muito preconceito com a literatura produzida por mulher. Há menos consideração pela mulher escritora. A não ser aquelas que ganham proeminência determinada. A tendência é a da invisibilidade. A mulher não é tão legitimada e se lê menos o texto produzido por mulher. Surpreendeu-se com a força da memória? A memória é um patrimônio que você tem , mas que não domina, é esquivo. Ela não depura, ela acolhe e acata, não tem uma estética. A memória não bate à sua porta para dizer: “viva bem, seja elegante, porque estou colhendo tudo para um livro que quero que seja escrito por você no futuro”. A memória não faz isso, ela é um registro totalizante.
Por que escrever suas memórias? Todos nós pensamos na morte, a morte é uma mentora. Ela vai nos dizendo: você vai morrer. Olha os objetos. Da minha mãe, do meu pai, os objetos da minha vida. Eu não tenho novidades na minha casa. É todo um repertório de memórias. Eu tinha uma curiosidade $pela minha formação. Venho pensando, ultimamente: como uma brasileira decidiu virar uma Simbad, e desandou a velejar pelo mundo? Sem muita proteção. Eu ia sozinha aos lugares. Nunca tinha os melhores lugares, porque estava iniciando. Mas sabia que era muito importante para a minha aprendizagem de vida. Isso me ajudou muito, desde menininha eu comecei a viajar. Fui induzida a acreditar que a imaginação precisava de subsídios. Não é verdade que a imaginação seja um regalo gratuito. Você tem uma imaginação que se esgota, se não a alimenta. Com essas viagens todas, fundamentais, as primeiras, eu fui entendendo que viajar era uma segunda natureza para mim. Já nas viagens mais profissionais, fui aprendendo, aprendendo, e acho que fui aprendendo tanto ao longo de $anos, que nem sempre eu pude imaginar que o que eu fazia não era comum. Qual foi a mais marcante?
A dos 10 anos (morou dos 10 aos 12 anos na Galícia), porque abriu a porta dos meus grandes mitos. Eu me tornei uma grande mestiça cultural, uma mulher múltipla. Convivia com os mitos, os deuses, com as mortes, convivi com um povo muito antigo. Eu me descobri uma mulher arcaica, uma menina arcaica. Até hoje sei que sou arcaica. Sem ser arcaica, não posso ser moderna. Este livro é um balanço, a história de uma formação. De uma brasileira, de família galega, portanto de origem de imigrante e que descobre o mistério da sua gênese, sobretudo os mistérios da sua gênese cultural, da gênese dos sentidos, da sensibilidade, das decisões estéticas.
É uma história de vida marcada por duas Carmens... A Carmen Piñon e a Carmen Balcells, duas mulheres muito importantes na minha vida. É engraçado isso. Aliás, Carmen Balcells me telefonou ontem (semana passada) e nós conversamos muito. O livro já está sendo traduzido para o espanhol. Carmen foi minha agente, apostou em mim. Foi Vargas Llosa quem me levou para ela. Carmen depois se tornou uma grande amiga da minha mãe, diz que foi uma das pessoas mais importantes da vida dela. Santiago de Compostela recebeu sua visita bem antes de Paulo Coelho... Não conto no livro, mas fiz o caminho a meu jeito, de carro, levou 21 dias (risos). A pé eu não quis fazer. Conheço muito bem o caminho, é extraordinário. Um dia penso escrever sobre ele, do meu jeito. Ninguém diz, mas era um caminho do pecado. Você podia pecar muito para chegar no fim e ser perdoado. É como Santo Agostinho: “Fazei-me puro, senhor, mas não já”. Você precisa pecar muito, precisa conhecer a paixão da carne, se deixar levar ou dominar pelas paixões. Era um caminho onde havia muito pecado, grande prostituição. Muitos assassinatos, roubos, era perigosíssimo. Levava-se às vezes uns dois, três anos. Ia-se parando, você se tornava necessariamente um “vagabonde”, no sentido francês. Por que a guerra era tão querida pelos povos também? Porque se tornavam aventureiros. Saíam de um lugarzinho inóspito, de um casebre imundo, pobre, e ganhavam o sentido da aventura. A pessoa $tornava um aventureiro, que é o melhor estado do mundo. O melhor do mundo não é ser escritor, é ser aventureiro. Em determinado trecho, observa que, apesar do Brasil, persistiu na literatura. Tem algum ressentimento? Ressentimento não, mas uma dor, que se deve ter. Não é possível que um escritor brasileiro aplauda a indiferença cultural do Brasil. Só um insensato. Como não sou insensata, nem parei de pensar, reconheço que o Brasil cobra um esforço acima das necessidades da literatura. Persistir na literatura é um milagre. Você depende da bondade de tantos para continuar escrevendo, de amigos, da mãe, do pai, dos amores, e de todo mundo. Todos os dias alguém bate à sua porta convocando você a desistir. E você tem de abrir a porta com bom humor e dizer, “sinto muito, mas eu não vou desistir”. Fui tentada inúmeras vezes, e nunca quis desistir. O Brasil não tem uma grande bolsa de estudos para escritor. Nunca teve, agora tem umas coisinhas aí. Nunca teve uma bolsa que ajudasse você a conhecer o mundo, que permitisse que você escrevesse um romance de dois anos. Os EUA estão cheios de bolsas. Os grandes prêmios brasileiros eram inexistentes, a coisa melhorou muito de um tempo para cá. A sensação que você tinha é que era uma espécie em extinção. Sendo mulher, provar que existia era um esforço extraordinário. Ser uma mulher bem educada não é fácil. Uma mulher com uma certa cultura, não é fácil. Com independência moral muito grande, não é fácil. A minha história não tem proteções do poder. Essa independência me custou caro. Não sou mulher de grupos, sou mulher muito solta pelo mundo. Não tenho histórias de mendicância moral. Ser escritor foi muito difícil, isso, é claro, para fazer a literatura que eu queria. Porque tenho facilidade para fazer texto erótico como muita pouca gente, e podia explorar esse trajeto e ganhar dinheiro. Não é ressentimento, é realidade. Também não estou cobrando nada, ninguém me deve nada. Eu é que devo à literatura. O prazer e a alegria que a literatura me dá são extraordinários, então valeram todos os esforços.
Escrito por Leila às 15h53
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A SOMA DOS DIAS

Com raras exceções, gosto de todos os livros que Isabel Allende escreveu. Sou apaixonada pela história de vida dela e com este livro - A SOMA DOS DIAS - pude mergulhar fundo num dia a dia rico, comum, recheado de risos, amor, pessoas indo e vindo o tempo todo, sofrimentos, dores, perdas, igual à vida de qualquer um - mas aí contada gota a gota, daquela forma que te prende ao livro e te deixa refém dele. Isabel é uma guerreira, das que mais admiro. Sempre fico mais forte depois de lê-la. Fico mais corajosa.
Escrito por Leila às 16h14
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Sassaricando

Há mais de dois anos em cartaz no Rio de Janeiro, só agora pude ir me deliciar com SASSARICANDO - E O RIO INVENTOU A MARCHINHA, este musical imperdível, de Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral. Um banho de músicas de carnaval, eternas, gostosas, hilárias, apaixonantes. Hoje eu fujo do carnaval porque brinquei muito, me esbaldei tudo o que pude enquanto morei em Belém e vivi aquela época boa em que até com o pé inchado de mordida de arraia na praia do meu Mosqueiro amado, eu não perdia o baile de carnaval da Assembléia Paraense, de braços com meu namorado, dançando e pulando ao som da banda do Guilherme Coutinho. Anos maravilhosos, bem vividíssimos! Sassaricando está no Teatro das Artes no Shopping da Gávea, que, lotadíssimo, suspirava, cantava junto, se emocionava. Do lugar onde sentei no teatro, pude ver as cabecinhas brancas em grande quantidade, excitadíssimas reconhecendo as canções e certamente as localizando em algum momento especial do passado. Isso não tem preço e alimenta a vida com alegria. Estar num teatro lotado, cantando e rindo junto é o melhor programa para qualquer carnaval, em qualquer época. Aliás, este programa devia constar de todos os receituários médicos para todas as idades. É um bálsamo! Saí do teatro encantada, comprei o CD duplo (que eu já tinha tido a alegria de ouvir junto com meus pais, que conhecem e cantam absolutamente TODAS as músicas), esperei os músicos (só tem craque no time), atores/cantores (ótimos!!!) para abraçá-los, parabenizá-los e agradecer-lhes, pelo espetáculo lindo, pelo prazer indizível, e especialmente, pela homenagem que me prestaram, oferecendo o espetáculo daquela noite a mim. Quase morri de alegria! Viva a música, a alegria, o bom humor, viva a música e o carnaval!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Escrito por Leila às 11h56
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FUERZA BRUTA e STOMP
Dois grandes espetáculos, híper recomendados, off Broadway, em Nova York. Assisti aos dois, em dezembro passado. FUERZA BRUTA só vendo pra entender do que se trata. Não saberia descrever, de tão diferente que é, de tudo que já vi. Híper multimídia, som e luz alucinantes, platéia em pé por 75 minutos e se movendo conforme o espetáculo vai rolando...enfim. E à frente de tudo, um argentino, rodeado de argentinos e artistas do mundo, geniais, bailarinos que voam, gritam, cantam, nadam sobre as nossas cabeças, Saí feliz e impactada!

O STOMP já está em cartaz há anos, já passou também pelo Brasil e não assisti aqui. Me remeteu ao BLUE MAN GROUP que já vi há muitos anos. Mas é diferente e acho que gostei mais. Só acredito porque vi, que aqueles artistas são capazes de fazer com os pés, braços, mãos e corpos, aquelas divisões rítmicas ultra difíceis, sobre latas imensas, com pedaços de paus ou apenas batendo nos próprios corpos. Maravilhoso. Verei de novo, se tiver oportunidade!
Escrito por Leila às 18h38
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Fim de semana variado!!!
Imperdível!!! João Miguel, o ator principal, baiano, vale o filme. www.estomagoofilme.com.br | A VIDA DOS OUTROS - filme alemão de antes da queda do muro de Berlim. Tenso e belo! | LONGE DELA - Chorei muito vendo este filme. É uma realidade que me dói as entranhas imaginar que possa fazer parte da minha vida. Julie Christie, a atriz principal continua linda! | COISAS QUE PERDEMOS PELO CAMINHO! Benicio del Toro dá um show. Filme triste! |
Escrito por Leila às 17h58
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WAGNER MOURA - HAMLET
Assisti em São Paulo, à peça Hamlet, o clássico de Shakespeare, produzida, traduzida e encenada (papel principal) pelo já grandioso ator Wagner Moura (foto ao lado by Lenise Pinheiro - Imagem Folha). Nada do que eu escrever aqui vai traduzir as três horas que vivi ali, sentada na platéia do Teatro Faap em Higienópolis, no coração da Paulicéia - a própria Faap, um templo raro de cultura, arte e saber (é uma universidade). A direção do espetáculo é de Aderbal Freire Filho, que dispensa apresentações e que deixa nesta montagem, bem nítida a sua assinatura. Sei, pelo que leio nos depoimentos de grandes atores, da importância e da dificuldade que é, representar o que este dramaturgo escreveu. Enfim...sem grandes delongas...o Hamlet de Wagner Moura é uma das melhores peças que vi na vida. Desde o começo da peça senti minha respiração em suspenso, tomei até meio lexotan nos primeiros minutos, porque ando meio panicada, a peça já começa tensa e eu sabia que ia ficar fechada ali por quase uma hora e meia, até chegar o intervalo (a peça tem dois atos e acontece em 3 horas)...
Fui entrando na história, fui absorvendo aquela torrente de palavras, de pensamentos extraordinários, reflexões seriíssimas e profundas, como que pensadas ante-ontem, de tão atuais que são. É como se Shakespeare vivesse os nossos tormentos e nossas alegrias de hoje, do mundo agora. E é essa a força do texto - sua universalidade e atemporalidade - o essencial para ser eterno.
No programa da peça, que quase terminei de ler antes da peça começar, o texto (grande) de Aderbal (diretor) dizia que deveria haver em cada canto do nosso país, um Hamlet sendo encenado, tal a importância de se ter contato com essa obra. No fim da peça, entendi perfeitamente as palavras dele.
Confesso que fiquei com inveja (das boas) do Wagner Moura e dos atores em geral, que podem lançar mão de um texto longo e denso desses, para dizer o que pensam. Eu, na minha profissão, escolho no máximo 25 canções que dizem o que penso e quero dizer, mas tenho, no máximo, uma hora e meia pra "vender meu peixe" que não deve ter muitas espinhas, porque senão o público se engasga e me abandona. Enfim...cada macaco no seu galho e...tudo certo.
Fiquei zonza com tanto texto, é verdade. Queria tê-lo na mão, pra poder ler várias vezes e assim pensar melhor em tudo o que vi e ouvi naquela tarde de domingo inesquecível.
Imperdível!!!!!!
Escrito por Leila às 20h01
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ANDRE MIDANI - Livro delicioso!!!!

Venho lendo um capítulo (curto) por dia, pelo simples desejo de prolongar a "conversa" com este homem genial - da música e do mundo, com uma história de vida fantástica, que certamente daria um filme interessantíssimo e dos mais caros já feitos, pela quantidade de países, cidades do mundo que ele visitou, viveu, passou enfim...e que narra deliciosamente neste livro recente, que, afinal, acabei de ler - há pouco - "Música, ídolos e poder".
Jantei com ele em Nova York há muitos anos atrás, desejando que ele se interessasse pelo meu trabalho e lançasse um disco meu na América. O jantar foi delicioso, ele, amabilíssimo, se interessou discretamente pela música que cantava aquela super jovem paraense, mas de fato, nada aconteceu. Não era a hora e aliás, esta hora até hoje não chegou. Não é pra ser. Cantei em Nova York algumas vezes, duas delas no templo máximo e sagrado da música do mundo - o Carnegie Hall, mas nunca cheguei a ter uma carreira na América. Tudo certo!!! Mas escrevo aqui é sobre ANDRÉ MIDANI. Aliás, não escreverei sobre ele, mas apenas quero sugerir a leitura de sua história, que tanto ensina, instiga, estimula, encoraja.
Reencontrei-o recentemente no back stage do show dirigido pelo Roberto Menescal, pelos 50 anos da Bossa Nova na praia de Ipanema. Ele chegou atrasado e estava meio chateado de ter perdido o começo do show. Não me reconheceu e isso não tem a menor importância. Ler o livro dele é o melhor de tudo. Sabê-lo vivo e cheio de vida aos 76 anos, casado de novo, e feliz, dando autógrafos em noite concorrida de lançamento e reencontro com muitos dos "personagens" do livro, seus amigos, é muito bacana. É amigo do Menescal com quem trabalhou muito e do Carlos Lyra e trocamos muitas figurinhas sobre ele enquanto aguardávamos para cantar juntos num show recente em São Paulo. Ambos me disseram que ainda teria um segundo volume de histórias que André não contou. Estou aguardando.
André ajudou a lançar incontáveis grandes artistas da música brasileira e mundial. Passou o diabo na infância (guerras, fome, frio, abandono) e desaguou aqui, no nosso Brasil, que o acolheu e onde ele vive até hoje.
Hoje, dia 2 de dezembro, li no blog de Caetano Veloso (http://www.obraemprogresso.com.br), o comentário dele do dia 10 de outubro, sobre este livro do Midane e o reproduzo, pedindo aqui, licença à Caetano:
"Estou lendo o livro de André Midani, "Música, ídolos e poder", e estou impressionado. É um livro bom, escrito por um homem incrível, sobre uma vida improvável. Muito bonito o destino desse homem que eu amo tanto e que foi tão importante para mim. Independentemente disso, é um livro para ser lido por quem quer que se interesse por música no Brasil e tenha prazer em ver o assunto olhado de uma perspectiva não provinciana, de uma larga visão histórica. Da chegada dos aliados na Normadia aos downloads e aos piratas, uma personalidade singular, sofrida e curtida (nos dois ou mais sentidos) faz a gente aqui se sentir real, possuidora de um tamanho real".
Escrito por Leila às 11h48
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